Terreiro Ilê Axé Opó Afonjá comemora centenário
agosto 25th, 2010 by admin
Presidi na manhã desta segunda-feira (24.08), em Brasília, de sessão solene em homenagem ao centenário do terreiro Ilê Axé Opó Afonjá, realizada por iniciativa do deputado Zezéu Ribeiro. Estavam na mesa a matriarca do terreiro, Mãe Stella de Oxóssi, o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, o subsecretário de Políticas para Comunidades Tradicionais da Seppir, Alexandro Reis, o presidente da Sociedade Cruz Santa do Axé Opó Afonjá, José Ribamar Feitosa Daniel, e o deputado estadual baiano Bira Coroa.
O Ilê Axé Opó Afonjá é um dos terreiros de candomblé mais antigos e respeitados da Bahia, herdeiro das tradições da pioneira Casa Branca do Engenho Velho. Esta teria sido a primeira a cultuar simultaneamente variadas divindades originárias de rituais africanos. Assim, contribuiu para a formação de uma identidade afro-brasileira, a partir de matrizes dos grupos nagô e jeje. Em uma sociedade marcada pelo poder desagregador do escravagismo, constituiu núcleo fundamental de preservação das raízes culturais e religiosas desses grupos.
Nesses 100 anos de funcionamento, o terreiro tem exercido uma liderança espiritual e social baseada na fé nos orixás e no estímulo ao fortalecimento da vida familiar e comunitária. Tal liderança, aliás, reconhecida no conjunto da sociedade baiana, caracteriza-se pela exclusiva presença feminina.
Tanto a fundadora do terreiro, Mãe Aninha de Afonjá, quanto suas sucessoras, Mãe Bada de Oxalá, Mãe Senhora de Oxum, Mãe Ondina de Oxalá e Mãe Stella de Oxóssi, atual responsável pelo comando da casa, merecem lugar de destaque no processo de afirmação da identidade afro-brasileira.
Cada uma, segundo a própria circunstância, demonstrou ser capaz de granjear respeito pelo exercício das funções rituais, pela seriedade na transmissão da doutrina, pela atuação no aconselhamento pessoal e familiar e, principalmente, pela sabedoria demonstrada no uso da autoridade e no encaminhamento dos problemas que lhe foram apresentados.
Mãe Aninha, por exemplo, empenhou-se em conseguir do ex-presidente Getúlio Vargas a liberação dos cultos, então fortemente combatidos pela Polícia. E Mãe Stella escreve livros e estimula a pesquisa e o registro da história do candomblé. Todas ajudaram a consolidar o papel do Ilê Axé Opó Afonjá, não apenas como um dos mais importantes ambientes religiosos afro-brasileiros, mas também como espaço de promoção do amor em relação a natureza e aos seres humanos, sem distinção de nenhuma espécie.











